Por Dario Birolini:
“Cuidado por onde andas, que é sobre os meus sonhos que caminhas.”
Carlos Drummond de Andrade
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Nestes últimos tempos têm sido divulgadas opiniões de colegas que, seja por boas ou talvez não tão boas intenções, têm sugerido que a Slow Medicine poderia, ou deveria, ser considerada uma “especialidade” ou, talvez, uma forma de “medicina alternativa” e que, como tal, deveria ser exercida por “especialistas” e divulgada para o público com estes objetivos.
As considerações a seguir pretendem esclarecer, de forma sintética e objetiva, estas “dúvidas” e estas sugestões.

Deve ficar claro que a Slow Medicine não é uma especialidade ou uma nova modalidade assistencial e muito menos uma forma de “medicina alternativa”, mas é, simplesmente, um incentivo à adoção dos princípios básicos e tradicionais da assistência ao doente, aprimorados pelo uso sensato e criterioso de todos os avanços tecnológicos, sejam diagnósticos como terapêuticos.
Em outras palavras não representa uma iniciativa destinada a levar o exercício de nossa profissão de volta ao passado. Muito pelo contrário, pretende promover um atendimento de alto nível, mas resgatando nossos valores tradicionais e enfatizando que o exercício da medicina deve ser realizado de acordo com os princípios fundamentais da ética e do respeito para com os pacientes, com a sociedade e com os colegas, e não movido por interesses econômicos ou de promoção pessoal.

Como tal, a adoção dos princípios da Slow Medicine pode e deveria ser adotada por qualquer especialidade, clínica ou cirúrgica, pois simplesmente pretende conscientizar o médico (e o próprio paciente…) de que o fundamental é a avaliação clínica pessoal, individualizada do doente e que os exames diagnósticos, por mais sofisticados, são apenas complementares e que os medicamentos, ainda que extremamente úteis e essenciais em determinadas situações, não substituem a adoção de hábitos de vida saudáveis.

O uso abusivo e “descabido” dos avanços tecnológicos, tanto em sua vertente diagnóstica como terapêutica costuma gerar “vítimas”, aumentar os custos e dificultar o acesso aos sistemas de saúde.

Obviamente, para que os princípios da Slow Medicine sejam adotados de forma correta e tenham resultados positivos é essencial que o médico seja um profissional com boa formação, experiente, devidamente qualificado e ciente de suas limitações e capaz, se necessário, de incentivar o paciente a ouvir uma segunda opinião.

Além disso, a Slow Medicine incentiva também o paciente a conversar com o médico de uma forma transparente, fazendo perguntas para esclarecer dúvidas e, desta forma, para compreender a natureza de seus sintomas e de sua doença, para conhecer as vantagens e os riscos do uso de medicamentos e para assumir sua própria responsabilidade no cuidado à saúde.

Termino estas breves considerações sugerindo que as sociedades médicas, as escolas de Medicina e os serviços públicos de saúde deveriam ser convidados e incentivados a participar da divulgação destes princípios, pois a adoção dos princípios da Slow Medicine resultaria em benefícios inquestionáveis e imensuráveis não apenas pela redução dos custos, mas e principalmente, pela melhoria da assistência evitando os riscos inerentes ao uso de métodos diagnósticos e evitando os efeitos adversos dos medicamentos e de suas possíveis interações.

Fonte: Slow Medicine

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